Entenda a nova tendência do marketing de influência

homem de óculos de proteção escuros e roupa vermelha sentado em um carro faz hangloose com a mão e mostra a língua enquanto se aventura

Se você está incluído no meio digital, então já ouviu falar sobre influenciadores. Neste artigo explicaremos melhor a origem e funcionamento do marketing de influência e sua recente ascensão na vanguarda de estratégias de marketing, no universo online. Confira!

O que é o marketing de influência?

As mídias sociais, como próprio nome diz, são formadas por pessoas. Quando discutimos engajamento, estamos falando em criar um conteúdo personificado, em que uma marca desenvolve voz própria e parte para um diálogo direto. O problema é que, na prática, as coisas nem sempre funcionam dessa forma.

Muitas vezes é difícil expressar valores, ideias e sentimentos através de uma só logo, sem rosto e nós – produtores de conteúdo digital – temos que quebrar a cabeça para tornar uma campanha em algo mais humano e interativo. Por isso, uma alternativa interessante é suportar a popularidade de uma marca através do apoio de uma “celebridade digital”, para representar ou colaborar com a sua brand, comumente conhecida no nosso meio como influenciador.

O marketing de influência nada mais é do que contratar um influenciador digital como porta-voz da sua marca. Apesar de que a contratação de celebridades como “garotos-propaganda” seja uma estratégia mais velha do que a minha vó, existem certas vantagens que a interatividade online traz para uma campanha de influência, que simplesmente não é possível com a mídia clássica.

O que o marketing de influência traz de novo?

Pra começar, nós temos que admitir que vender felicidade, por meio de marketing está ficando velho. Marcas perdem autenticidade ao sempre sorrir e a nova publicidade precisa de um tom que só a exposição pessoal pode trazer. Falando de exposição, nós também temos que discutir como a vida online mudou completamente nossa visão de privacidade e interpessoalidade.

A revolução das mídias sociais criou um novo tipo de celebridade, nascida a partir das plataformas mais populares: YouTube, Instagram, Linkedin, Twitter, além de blogs e sites próprios.

Em nossas páginas pessoais, nos tornamos protagonistas de nosso próprio conteúdo, podendo este ser o nosso fluxo de ideias, vídeos, arte e toda produção criativa autoral, que nos relaciona a outras pessoas. Entre nós, alguns se destacam e começam a chamar a atenção das outras pessoas, criando uma comunidade engajada de followers.

Além disso, a geração de influenciadores também tem noção do valor da sua popularidade, buscando formas de capitalizar seus canais e tornar a sua produção de conteúdo em um estilo de vida, o que é uma oportunidade interessante para investidores dentro do marketing de influência.

 Por que investir no marketing de influência?

Ao receber o aval de um influenciador, marcas ganham mais do que só exposição. A recomendação de produtos por contatos que inspiram confiança, apresentam um boa margem de correlação em vendas.

A possibilidade de viralizar também chama a atenção de investidores, já que conteúdo pessoal orgânico tem muito mais probabilidade de ser compartilhado do que comerciais impulsionados.

Alguns Cases se destacam

Jout Jout

No quesito autenticidade a gente precisa falar dela: a youtuber Julia Tolezano, do canal JouJout Prazer, que é uma das maiores influenciadoras da plataforma no Brasil. Com seu estilo espontâneo, ela discute assuntos do cotidiano feminino, além de algumas passagens mais introspectivas, contando relacionamentos anteriores e questões de autoestima.

Em um caso extremo de efeito viral, JoutJout conseguiu vender uma quantidade enorme de cópias do livro “A Parte que me Falta” ao divulgá-lo em um episódio de seu vlog. A recomendação do livro, no vídeo com milhões de visualizações, gerou uma onde de compras em massa, catapultando a publicação para lista de mais vendidos na Amazon e a reimpressão por parte da editora.

Glainá Boucinha

Outro fator importante para um influencer é encontrar o seu público. Quando o assunto é moda, o Instagram é uma plataforma diferenciada. Várias modelos e estilistas se reúnem para compartilhamento de fotos, vídeos e stories, o que o torna o ambiente perfeito para o setor de cosméticos e têxtil, na hora de escolher seu influenciador.

glainá boucinha, gaúcha influenciadora, posa para foto simbolizando o crescimento no marketing de influência

Glainá Boucinha é um exemplo disso. A modelo e blogger cria uma presença acessível na rede, respondendo comentários e criando um relacionamento com a sua comunidade, o que chamou a atenção de O Boticário. A marca vem criando uma colaboração de sucesso com a comunicadora, sabendo que seu público, em maioria feminina, aceita bem as dicas de produtos de Glainá.

Bradesco no Lolla

O Bradesco utilizou a oportunidade de patrocinar um evento nacional como o Lollapalooza, não só como uma forma de colocar seus banners por todo lado, mas também como uma estratégia de branding multiplataforma. Como o universo da música é eclético, a solução foi criar parcerias com vários influenciadores a fim de unir diferentes segmentos do público sob uma só campanha promocional, o #TodosNoLollaBR.

O investimento do Bradesco em comunidades segmentadas – contrárias a grandes plataformas de mídia – mostra que, independente do tamanho da comunidade, empresas devem que ficar atentas ao custo-benefício real de uma campanha de marketing de influência. Essa conta envolve muitas variáveis e nem sempre é uma questão de quanto mais melhor.

É necessário cautela antes de investir em marketing de influência.

tirinha relata a necessidade de cautela ao usar de marketing de influência

No quadrinho o rapaz indaga: “Eu posso ser uma estrela do YouTube, mas vocês têm certeza de que sou adequado para promover o seu negócio de hipotecas? Eu só tenho doze anos”. Os investidores respondem: “Só faça alguma coisa geração do milênio”.

O mapeamento e segmentação de personas continua sendo crucial, mesmo dentro do marketing de influência. Entender quem exatamente são seus leads e que conteúdo eles gostam é o primeiro passo na hora de escolher um influenciador. Algumas campanhas têm focado em escopos menores, com “micro” influenciadores que são mais interativos em suas comunidades, o que gera um engajamento maior, em um grupo menor de pessoas.

Temos ainda que discutir a eficacia em vendas de uma estratégia de marketing de influência. Como comentamos, visibilidade nas redes pode ser ótimo para o branding, mas não necessariamente isso se reverterá em vendas. Sabemos pouco sobre isso ainda. Por exemplo: no caso das mulheres sabe-se que 20% delas considera comprar produtos endossados por influenciadores. Esse número, claro, vai variar com o tempo e segmentação das comunidades.

Sem contar que a estabilidade das plataformas e redes sociais continuam a ser um risco pra esse tipo de estratégia. Com a mudança continua de algorítimos de conteúdo e a explosão de pessoas tentando se tornar influenciadores devido à popularidade e ganhos, podemos estar olhando para uma nova corrida do ouro digital, com o marketing de influência.

Independente de pra onde isso vai nos levar, o marketing de influência, por enquanto, é a nova trend em publicidade digital. Ultrapassando o interesse pelo inbound na gringa, nós só podemos esperar essa onda chegar logo as terras tupiniquins.

Renan Cardozo

Renan Cardozo